Artigos e Notícias


Saberes Essenciais

01/03/2021

O Centro de Estudos Universais AUM ofereceu no início de 2021 uma série de palestras com o intuito de ajudar nesta turbulenta travessia. Tempos difíceis necessitam disciplina, coragem, paciência e, sobretudo, muita solidariedade. Saberes essenciais vêm do inominável, da essência ... do aroma desse jardim maravilhoso que é o planeta no qual estamos inseridos e do próprio cosmos. Desfrute!


As aulas são gratuitas. Retribua adquirindo a produção artesanal, alimentar e extrativista de povos indígenas e comunidades tradicionais por meio da Rede Multiétnica: 
www.redemultietnica.com, projeto de fortalecimento da economia da sociobiodiversidade criado em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. 

Programação

 

Amâncio Friaça
Histórias com mais que dois lados

Felizmente a realidade é mais complicada do que o mundo dos dilemas. Se, por um lado, trilemas e multilemas trazem mais dificuldades, por outro, a realidade é multidimensional, e não se esgota nos “dois lados da questão”. E não há só bifurcações no caminho, mas também três, quatro... cantos.

A parábola do elefante 
Essa antiga história traz profundos ensinamentos sobre a natureza da realidade. Não há “lados” na realidade, mas antes eles são uma ilusão que surge quando nos fixamos em narrativas isoladas entre si. 



As três versões da vida
Esse é também o título de uma peça de teatro. Mas é indica também que podemos escrever outros “roteiros” para a vida. Em vez de termos apenas “outra vida”, por que não outras vidas? E não podemos nos esquecer da lógica do terceiro incluído.  


Os sonhos de Descartes
É pouco conhecido o fato de que o método cartesiano é o fruto de três sonhos que ele teve na mesma cidade onde séculos depois nasceria Einstein. É extraordinário que o itinerário para a construção lógica do mundo tenha uma origem onírica.



Camadas e rotações dos saberes
Normalmente se imagina os saberes fundamentais da arte, ciência e espiritualidade como dispostos em camadas, com o núcleo espiritual, cercado pelo manto da arte e, mais por fora, a casca da ciência. Porém, mais exato seria vermos uma rotação dos saberes, um gerando e tocando o outro em uma dança circular. 



Amâncio Friaça é astrofísico e astrobiólogo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Atuante nas áreas da astrobiologia, cosmologia, evolução da complexidade no Universo, transdisciplinaridade, educação científica, relações entre ciência e sociedade.


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Fernando Schiavini
O Tribalismo 

As palestras, baseadas em um livro inédito com o mesmo título, revelarão como funcionam os “Sistemas Tribais”, sem dúvida as formas organizativas mais antigas da humanidade. A obra vai além: ela dá as informações de como formar uma “tribo” presencial e\ou virtualmente, em qualquer parte do mundo, mesmo no meio urbano.  

As raízes da humanidade 
Partindo da “Teoria da Evolução das Espécies” de Charles Darwin, o encontro discorre sobre a origem e evolução dos seres humanos na terra, ligadas intrinsicamente às formas grupais organizativas que, a rigor, alcançariam a fase “primata” da humanidade. Em seguida, analisa o aparecimento de outras formas organizativas centralizadoras de poder, do dinheiro e das religiões, e como esses eventos contribuíram para a formação do capitalismo. 



Capitalismo e resistência 
A consolidação do Sistema Capitalista a partir do declínio do Sistema Feudal na Europa, aliado ao período das grandes navegações e como ele evoluiu, agregando as descobertas científicas, a mídia e a globalização. As tentativas de reação da humanidade ao Sistema Capitalista, como o Comunismo, o Socialismo e o Anarquismo, e os efeitos perversos contemporâneos do sistema. A tentativa de retribalização de parte da humanidade, representada pelo “Movimento Hippie” e as “Comunidades Alternativas” ou “Intencionais”. 



O Tribalismo 
O que é uma “Tribo” e como as tribos evoluíram há milhares de anos, revela as “premissas” dos sistemas tribais, seus pilares, suas características comuns, a Ética e o “Direito Tribal”, partindo do pressuposto que eles são diferenciados entre si e ao mesmo tempo iguais, em seus princípios organizativos milenares. 



Como formar uma tribo contemporânea 
As metodologias “Dragon Dreaming” e “Sociocracia”, revelando como é possível formar e manter organizações tribais utilizando essas ferramentas participativas e de como é possível conciliar um Sistema Tribal com o Sistema Capitalista.



Fernando Schiavini é indigenista e escritor. Atua há mais de 45 anos com povos tribais na Amazônia. É idealizador das “Feiras de Sementes Tradicionais” e co-idealizador da “Aldeia Multiétnica”, uma experiência de vivência tribal na Chapada dos Veadeiros (MT).

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Paulo Machado
A dança das polaridades 

Atravessamos um momento em que a atitude psíquica geral das pessoas se encontra profundamente polarizada, observando-se uma grande dificuldade para o estabelecimento de interações através do diálogo e de comunicação civilizada. O debate de temas importantes que recentemente tem emergido, como questões étnicas e raciais, gênero, violência contra vulneráveis e saúde tem se ressentido com a desinformação, a intolerância e a intransigência de determinados setores públicos e com a unilateralidade das próprias pessoas comuns, confinadas pelos algoritmos das redes sociais. Através da elaboração simbólica das polaridades Terra/Céu, Sol/Lua e da noção de Centro, percorrendo a sabedoria essencial das mitologias e embasados no enfoque da psicologia junguiana, propomos uma reflexão profunda sobre as questões acima observadas, que tem provocado tantos dissabores, sizígias, rupturas familiares e afetivas e muito sofrimento coletivo.
 


A Dança das polaridades e o momento atual
A polarização nas relações, a desinformação (as fake News) e o negacionismo; os símbolos da sizígia. A noção de arquétipos; a tipologia psicológica de Jung.


As polaridades Terra/Céu
As oposições Yin/Yang, Tamas/Sattva, Leão/Águia x Serpente. Símbolos da função maternal: a maternidade sagrada, a doação da vida e nutrição. Símbolos da fecundidade e regeneração. Divindades ctônicas e telúricas. Hierofanias uranianas. Infinito e transcendência. Símbolos da ordem sagrada do universo e dos poderes superiores. 


As polaridades Sol/Lua
Mitos solares de origem: a origem solar do universo. Sol invictus: simbolismo solar da ressurreição e imortalidade. Arquetipologia solar e lunar. Calendários solares e lunares. Complexo mítico/simbólico da Lua: águas, chuvas, vegetação e o feminino. Fecundidade da terra e da mulher.


A dança das polaridades e a noção de Centro
Os símbolos fundamentais: Centro, Círculo, Cruz e Quadrado. Simbólica do Centro: Montanha sagrada, Palácio, Templo, Árvore, Ônfalo e Pedra. A roda, as mandalas. Centro e a noção de princípio. Axis Mundi e a ligação entre Céu, Terra e Mundo subterrâneo (Inferno). Coniunctio oppositorum (união entre os opostos).



Paulo Toledo Machado Filho é médico psiquiatra, psicoterapeuta junguiano e sociólogo. Mestre em Antropologia Social pela USP.

Crédito: fotógrafa Ana Viotti 

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Antonio Florentino Neto

Budismo Zen da Escola de Kyoto e Mestre Eckhart

A filosofia zen-budista japonesa da Escola de Kyoto surge e se desenvolve a partir de intensa interlocução com a filosofia ocidental, especialmente com o mais importante filósofo-místico alemão Mestre Eckhart. Algumas “proximidades conceituais” entre os pensamentos de Nishitani e Ueda (dois grandes nomes da Escola de Kyoto) com Mestre Eckhart são temas centrais deste curso. Referências tais como Nada Absoluto, Vazio da Alma, Desprendimento e Serenidade são centrais tanto para Mestre Eckhart quanto para o Zen-budismo.  Com Nishitani e Ueda a Filosofia da Escola de Kyoto passa a dialogar diretamente com esses “conceitos” em Eckhart, a partir de seus correlatos Zen-budistas. Faremos, neste curso, uma releitura deste diálogo a partir da tradicional história zen-budista “O boi e seu pastor”; recurso também utilizado por pensadores da Escola de Kyoto.

O boi e seu pastor 
Análise dos 10 quadros da tradicional história Zen-budista “O boi e seu pastor”, a partir de referências gerais das filosofias ocidentais e orientais, tendo como referência fundamental e pano de fundo o diálogo entre Zen-budismo e Mestre Eckhart, mas se estendendo a outros pensadores da tradição filosófica ocidental, principalmente Nietzsche e Heidegger. Diálogo também com a interpretação desta mesma história, feita por Shizuteru Ueda. 



As bases filosóficas do Budismo Zen
Os elementos fundamentais deste módulo estão presentes em três importantes pensadores da tradição budista: Nāgārjuna, Fazang e Dogen. O objetivo principal desta análise é tratar de dois “conceitos” básicos da filosofia budista, da cooriginação dependente (pratityasamutpada) e vacuidade (Shunyata), que são centrais para os referidos autores. Abordaremos também a reinterpretação que Fazang faz da Rede de Indra e do conceito de tempo em Dogen, como formas de exemplificações e desdobramentos “conceitos”.



Mestre Eckhart e seus mestres 
Os conceitos básicos da filosofia de Eckhart tais como vazio da alma, nada absoluto, desprendimento e serenidade, com o objetivo de compreender a recorrente preocupação de Eckhart em superar as concepções lineares de tempo, desenvolvidas por Platão, Aristóteles e Santo Agostinho, que foram os grandes mestres de Eckhart. Esses pontos são as bases para o diálogo com os temas do segundo módulo e formam os temas do último bloco.   

 

Releitura da história Zen-budista 
A história “O boi e seu pastor” como estratégia de abordagem daqueles que, a meu ver, são os principais pontos comuns e os principais pontos divergentes entre essas duas tradições filosóficas. O principal objetivo das considerações desta última parte é vislumbrar os caminhos soteriológicos - que levam à superação do sofrimento - apontados por essas duas tradições. 




* Clique 
AQUI para baixar o PDF "O Nada absoluto no Zen, em Eckhart e em Nietzsche" e clique AQUI baixar os 10 quadros de "O boi e seu pastor". 

Antonio Florentino Neto
 é doutor em Filosofia pela Universidade Livre de Berlim, com tese sobre a relação entre filosofia alemã e filosofia chinesa. Prof. Colaborador do Doutorado em Ciências Sociais e p
esquisador do Centro Brasil China, da Unicamp.